Assim como as pessoas mudam, a sociedade como coletivo vivo muda, a visão do trabalhador muda, a relação com o trabalho também muda.
E estou falando para além do nome de RH, DHO, Gente Gestão, Departamento Pessoal, ou Gestão de Pessoas, ou até mesmo diferentes formatos de trabalho. Estou falando do significado, da importância, do sentimento que cada pessoa tem com o trabalho. Enfim, falando da complexidade humana que tem no trabalho um meio de expressar o que sente e parte de quem se é, pois se tivermos essa perspectiva conseguimos parar de defender verdades absolutas, e focar no que importa. Respeito as diferentes carreiras, acordos de convivência dentro das organizações para um funcionamento produtivo e também pacificado.
Pulamos do tripalium (instrumento romano de tortura) que deu origem a palavra trabalho, para agora uma enxurrada de pessoas que diz “trabalhe com o que você ama e nunca mais precisará trabalhar na vida”. Com base no que penso, sinto, experiencio, e sou, te digo que o importante é que a gente não fique preso no passado, achando que o trabalho é lugar que eu sou torturado e sou instrumento de tortura, mas também não seja iludido com essa historia de ame seu trabalho. O que eu defendo é que a gente encontre um ponto pacificado onde possamos amar o resultado do meu trabalho e com isso, sou livre para expressar esse resultado em diferentes lugares, e formatos.
O caminho que acredito, defendo e trabalho para que mais pessoas queiram trilhar é que tenhamos uma relação saudável com o trabalho, onde eu consigo minimamente respeitar as minhas escolhas, e respeito as pessoas que tem escolhas diferentes da minha. Até porque para que uma sociedade funcionar bem, precisamos de diferentes trabalhos, em diferentes horários e formatos.
Sem romantismo e sem pessimismo em excesso, o que faz com que as pessoas façam escolhas mais felizes, e mantenham um local de trabalho seguro psicologicamente é a capacidade de observação realista. E só conseguimos observar de forma realista, quando invisto no meu autoconhecimento, pois a primeira e mais importante observação é a que faço de mim mesmo, das minhas ações, das minhas mil conversas internas.
E ai, quando falo sobre esse significado maior e mais profundo do trabalho, tem a turma do que defende que “deixa disso, eu trabalho para pagar boleto, porque a vida é dura” e tem a turma que vai dizer ” isso mesmo, tem de ter um propósito”. Faço dois convite para essas duas turmas, e para você que se dispôs a ler: Isso é o que você vive ou apenas repete o discurso? Você consegue conviver em paz com quem vive diferente do que você vive? As suas respostas vão me dizer o quanto você colabora para a solução ou para o problema que vivemos.
Que no dia do trabalhador que é hoje, e em qualquer outro dia, a gente consiga diminuir a necessidade de convencer o outro e se dedique a ampliar a nossa consciência e contribuir para uma maior conscientização de que saúde mental e física dentro e fora das organizações é base para uma sociedade melhor.